sexta-feira, 21 de abril de 2017

A Saga das Guitarras Brasileiras - Parte 1

A história dos músicos guitarristas, publicações e fabricantes de Guitarras no Brasil passa por muitas fases desde seu tímido início cercada ainda pela visão erudita e idealista da música clássica sobrecarregada de preconceito que ainda associava e segregava os músicos de maneira geral considerados como "populares" pertencentes à um grupo artístico marginalizado tendo suas obras consideradas como uma música "inferior" e de baixa qualidade, ainda só para ilustrar para relembrar como no início do século XX com a história de Chiquinha Gonzaga. O que para se atingir a etapa de profissionalização como músicos e guitarristas ainda padeceria de muitos percalços durante as décadas posteriores para a sua consolidação no meio musical e até a reviravolta do que se tornou atualmente e por efeito de um mercado de marketing associado a músicos como invólucros de produtos musicais porém ainda mais e de forma central vinculados a ideia de influencia para consumidores do que propriamente artistas reconhecidos por seus trabalhos artísticos-musicais no instrumento, sua música,  são mais conhecidos hoje como "Endorsers", músicos patrocinados por marcas de empresas de instrumentos musicais em publicações e meios destinados para esta finalidade.

Sendo este o cenário de mercado e meio musical pré-histórico nacional até os meados da década de 60 era comum e re-afirmamos ainda sem nenhum tipo de romantismo que expressões do tipo "aquele que leva a vida na flauta", o famigerado "vagabundo" ou ainda o "bicho-grilo" sendo associado indistintamente a um esteriótipo ai já em plena repressão da ditadura na década de 70 a alcunha de elemento "subversivo" e para tanto bastava ter o cabelo cumprido, usar blusa de veludo, calça boca de sino e ainda uma guitarra elétrica nas mãos, muitos anos mais tarde e para "ilustrar" a que ponto se chegava a paranoia naquela época ficou conhecida a história da primeira banda de rock nacional O Módulo 1000 a gravar um disco duplo  em que executivos da gravadora lançam o disco na praça sem saber exatamente de que se tratava de uma banda de rock hard rock instrumental da época muito divergente do "cast" das gravadoras e das rádios populares mais conhecidas daquele momento, porém e apesar de nada terem haver com os grupos de luta-armada da época ou até músicas de protesto mesmo assim foram intimados pelo DOI-CODI (o aparelho de Estado para a repressão) para retirar todos os discos das prateleiras, quando se deram conta que tratava-se de uma censura já era tarde, esta banda e tantas outras e seus músicos chegaram a gravar outros discos mas sempre associados a este tipo de esteriótipo e paranoia vinculados a ideia de subversivos e por tantas outras censuras e barreiras de um modo geral os rockeiros nacionais eram assim tachados e descritos como cabeludos, drogados, mal trapilhos, sujos, mal pagos e ferrados.

A história mais uma vez fez justiça e os reconheceu além do inequívoco talento registrado em suas obras para sempre mas também principalmente pela ousadia, coragem e originalidade que o momento exigia e eles não vacilaram. O cenário musical para o rock e os músicos de forma geral era naquele período tão "barra pesada" que fica difícil hoje em dia imaginar que bandas nacionais como, Mutantes, Patrulha do Espaço, Made in Brazil, Terreno Baldio, Som Nosso de Cada Dia, Casa das Máquinas,Tutti-Fruti, A Chave do Sol, O Terço entre outras surgissem e que seus músicos chegassem onde chegaram gravando discos, levando multidões em festivais de rock nacionais e internacionais, profissionalizando um meio e até o mercado musical através de um estilo e sendo os reais protagonistas que fizeram o início da história do rock brasileiro muito além de Cely Campelo e a Jovem Guarda. Ao final da década de 70 o apogeu não chegaria sem cobrar o seu "ticked", alguns daqueles bravos sobreviventes ainda carregam consigo algumas marcas ou até severas sequelas daquele período como Arnaldo Baptista (ex-Mutantes)*, Lanny Gordin*, Raul Seixas*, só para citar os mais conhecidos que seja pelas drogas, pela tortura e sofrimento da loucura da "psicosfera" do período e pelo desgaste produzido das turnês e por fim as "mil coisas" - como diria Sergey, que acabaram entre outros aspectos marginalizados, discriminados senão segregados socialmente ou até mesmo esquecidos entre os seus próprio familiares. Grandes talentos, grandes artistas que ficaram conhecidos e que alcançaram o apogeu da fama através de seus trabalhos musicais sendo hoje por alguns reconhecidos como verdadeiras obras primas e para ilustrar como a música "Ovelha Negra" de Rita Lee e Tutti Fruti sendo eternizada através do solo genial do guitarrista Luis Carlini.

A breve história do germinal  rock nacional dos anos 70 hoje conhecido como"classic rock" apesar da suma e reconhecida importância como um legado artística-musical-cultural de uma geração e de grande influência para a posteridade, ainda assim continuam hoje não raro a serem retratados e discriminados pela mídia nacional com a inglória alcunha de "geração dos malditos" ou relegados a um segundo plano artístico no estilo devido as condições técnicas da época etc... Em nossa opinião foram bravos heróis muito a frente de seu tempo e não partilhamos da opinião destes pseudo-críticos jornalistas. Muitos deles ainda continuam, após 50 anos, bravamente no front dos palcos como o Made in Brazil, Patrulha do Espaço(fundado pelo Arnaldo Baptista pós Mutantes), Casa das Máquinas, Terreno Baldio e O Terço  entre outros, provando que o Rock Never Die!

Voltando mais precisamente para o universo da guitarra nacional e o alvo deste post apesar destes percalços já despontavam talentos que lançaram propriamente os embriões da profissionalização sendo músicos a princípio mais como violonistas do que propriamente guitarristas em um segundo momento e que eram contratados para tocar ao vivo em estúdios de grandes rádios e gravadoras, guitarristas como Lanny Gordin que gravou e se apresentou como guitarrista de toda uma geração de artistas da MPB durante a década de 60 e 70 com Gal Costa, com Gilberto Gil em Back in Bahia entre várias outras participações, o guitarrista Heraldo do Monte que gravou no Quarteto Novo com o multi instrumental Hermeto Pascoal e em outros discos participando com outros diversos artistas como Elis Regina, Geraldo Vandré, Zimbo Trio em seus discos. Surgiram também outros nomes, também contemporâneos como Pepeu Gomes(Novos Baianos), Luis Carlini(Rita Lee e Tutti Frutti), Robertinho de Recife(Fagner), Armandinho(Guitarra Bahiana conhecida à época como pau-elético), Sérgio Dias(Mutantes) entre outros.

Apesar do ambiente do meio musical ser machista as mulheres na guitarra tiveram sua importante participação com a venerada rainha do rock nacional Rita Lee, vale ressaltar sua primeira guitarrista
Lucinha Turnbull* que participou, logo após Os Mutantes, na formação do Tutti-Fruti a nova banda da Rita Lee nos anos 70. Lucinha foi reconhecida recentemente como sendo a primeira guitarrista do gênero feminino a estrelar por aqui de forma profissional.

Naquele momento o universo da guitarra nacional  já despontava com estas estrelas já pontilhando novos horizontes e direcionando novos rumos e influenciando e sendo incorporados a outros estilos com experimentações que deram certo e conquistaram muitos fãs pelo interior do país, como a fusão com a música sertaneja do que viria a ser o aclamado Rock Rural, do Instrumental com o Terço no clássico álbum Criaturas da Noite, no grupo mineiro de Sá, Rodrix e Guarabira com as clássicas Jesus em uma Moto ou em Hoje ainda é Dia de Rock e os também mineiros do "Clube da Esquina" que incorporavam o som da guitarra em suas melodias.

Diante deste cenário principiava uma insipiente indústria nacional de instrumentos musicais e com a guitarra não era diferente. As guitarras nacionais tinham construções muito inferiores em relação as raras importadas que apareciam por aqui, fabricadas nos EUA e Europa, a importação mesmo que uma possibilidade ainda era uma realidade muito distante pelo menos de boa parte daqueles que queriam um instrumento à altura daqueles disponíveis lá fora. Restava a originalidade e experimentações das garagens de músicos que além de sua arte associados a amigos técnicos em eletrônica produziam também seus próprios instrumentos seguindo a tendência da eletrônica da época em busca do som amplificado e que recorriam a criativas e as vezes "estranhas" senão "bizarras" engenhocas em adaptações a instrumentos musicais para se chegar a um som eletrificado. Algumas destas iniciativas fizeram história como a Guitarra de Sergio Dias do Mutantes e o baixo do Liminha também do Mutantes desenvolvido pelo também criativo e genial irmão de Sérgio e Arnaldo o técnico em eletrônica Cláudio Dias.

Mesmo assim destacaram-se alguns fabricantes pioneiros de guitarras e amplificadores com a rudimentar porém inigualável tecnologia para a amplificação do som  com as peculiaridades próprias em sua reprodução já então naquele momento uma tecnologia muito dominada e difundida sendo até hoje eleita por 10 em cada 10 guitarristas, a tecnologia das válvulas com a magia do som valvulado como, para citar alguns mais conhecidos os amplificadores da Phelpa, os da Giannini que também produzia guitarras e baixos elétricos, os da Del Vecchio guitarras e amplificadores entre outros valendo destacar uma fabricante rudimentar mas com guitarras e baixos mais arrojados instalada na cidade de Bauru no interior do Estado de São Paulo fundada por um imigrante austríaco que a batizou com seu próprio nome a Innsbruck.

Ainda hoje é possível encontrar após uma breve pesquisa em sites "e-bay" algumas destas "raridades" em guitarras, contra-baixos, pedais e principalmente amplificadores daquela época sendo classificados como "vintages" a preços convidativos pois apesar de um início muito tímido e insipiente desta indústria nacional ainda é possível encontrar músicos que fazem uma certa apologia a estes instrumentos talvez pelas madeiras utilizadas em suas construções que tinham muita qualidade - madeira de lei - porém em outras características que vão desde o hardware eletrônico ex. captadores, potenciômetros, tarraxas, escalas, braços sem tensor e visual com um acabamento que realmente deixavam o produto final "som" e tocabilidade muito a desejar frente as produzidas e comercializadas no exterior.

Este cenário a grosso modo permanece em linhas gerais o mesmo durante todo o ufanista período do " Eu te amo meu Brasil" música da banda de rock "Os Incríveis" compôs saudando o regime militar que perdurou de 64 até 85.  Entre leis de protecionismo e corporativismo em defesa de uma indústria nacional esta "zona de conforto" começou a sentir alguma ameaça somente na década de 90 na Era Collor com a fortíssima abertura econômica á importação momento que não "coincide" cronologicamente com a nova geração de cultura pop-rock colorida do início da década de 80 encabeçada com a Blitz e a abertura política daquela década mas estabelece um marco da popularização, da produção e do consumo em massa do Rock no Brasil como um "divisor de águas" a era Rock'n Rio em que a Guitarra torna-se como efeito colateral o signo de influência máxima para uma população produtora do PIB em sua grande e avassaladora maioria até seus 25 anos evidente muito jovem e naturalmente às avessas de tudo o que representava o passado e que influenciou com seus "novos" comportamentos decisivamente as futuras gerações na década de 90 e século XXI.
Entramos para uma breve pausa para a parte 2 de A Saga das Guitarras Brasileiras 

domingo, 16 de abril de 2017

O perseguido Rock'n' Roll como política externa -HistoryGuitar

E fora justamente com o perseguido Rock'n Roll dos negros dos anos 50, na expressão característica de "signo"de influência cultural norte-americana a partir da segunda metade dos anos 70 sendo usado como estratégia de política externa de Estado em um plano geopolítico estadunidense. Ou seja o Rock usado como propaganda da política externa dos Estados Unidos, sendo este instrumento musical - Guitarra  e o estilo musical Rock'n Roll os elementos indissociáveis e umas das principais características da indústria cultural deste país vinculado evidente ao modelo do modo de vida da sociedade de consumo norte americana a ser implementado então através de uma lógica mercadológica para se conquistar cada vez mais divisas econômicas, de influências políticas regionais e padronização sociais de consumo com vistas a ser ampliado globalmente principalmente durante a Guerra Fria.

Me lembro muito bem da MTV!(risos) Na sala de casa assistindo Dire Straits  com o clip Money for Nothing na tv, aliás onde se deu o nascimento da era dos Videos Clips curiosamente quando fui a primeira vez ao Mac Donalds! (risos) Como se sabe, com a queda do Muro de Berlim, a dissociação da URSS este processo ou melhor visto então como "show business" "negócio".

Aparentemente este negócio de gravadora não acabou com o advento da revolução digital ou por conta do mp3, do torrent piratebay, do youtube, do compartilhamento quase que compulsivo das pessoas em copiar conteúdo considerado como cópia ilegal infligindo direitos autorais, etc...Isso tudo é uma grande besteira como tantas outras besteiras de teorias conspiratórias que somos obrigados a engolir daquelas típicas de programa sensacionalista de canais pagos norte americano.

Esta alegação toda por parte da indústria fonográfica (hoje convertida em indústria do entretenimento) se deu por querer defender seu controle absoluto desde o vinil até o último 0 do bit de qualquer conteúdo que existe ou possa existir, ou seja a informação total ou seja a "tal" convergência móvel porém em todos os cantos porém com o pensamento único. Rapidamente conglomerados  se desassociam e se associam, o hit de hoje já não é mais o de amanhã, a velocidade da informação e como e onde ela se manifesta é que esta em disputa,  porém mantendo a prevalência do centro para a periferia mundial visto já ha algum tempo é uma poderosa indústria  e sua influência acaba sendo determinante para o que vai ou não ser "pop"  suprimindo as iniciativas, o que acarreta também alterações nas culturas regionais, nas formações sociais, todos em rede mas distantes mesmo que próximos com o olhar perdido em uma tela de celular em uma expressão sobrou "pouco espaço" ou fomos restringidos a um mínimo espaço. A muitos guitarristas nesse "Admirável Mundo Novo" Restou o único campo de ação possível restringido-se ao quarto da qual tristemente observo gravações e mais gravações que  tocam suas músicas com bandas de programas de computador. Onde estarão as incertezas, as dúvidas, as intuições, os espantos, as admirações , as necessidades , as outras pessoas, as contradições, os erros, os absurdos, as loucuras enfim aquilo que nos faz tão humanos?

  " It makes my wonder "
 
Acredito que dificilmente teremos outra chance de uma fase tão criativa quanto  foram os anos 60 para uma conjuntura destas impossível, talvez daí o rock pra mim ser tão especial, porque ele é como eu ou você. Ele é unico!! 

"When all are one and one is all, yeah

"To be a Rock and not to Roll "


sábado, 1 de abril de 2017

O Rock '60 -O Legado de uma Geração-HistoryGuitar

Naturalmente que hoje na primeira década do século XXI era digital do download grátis no formato de música Mp3, compartilhamento instantâneo, um mundo muito diferente do que aquele do final do séc.XX na década de noventa quando um jovem garoto de 15 anos (que já amava os Beatles, Queen, Peter Framptom por influência do Pai) e que naquela altura da vida andava em trabalho como office-boy nas ruas de São Paulo (ouvindo um velho walkman sony e uma fita K7 no lados A e B- Black Sabbath - gravado de um especial de rádio(!!!) da antiga 89Fm a extinta RádioRock.

Se ao andar pelas ruas de uma grande metrópole cosmopolita como São Paulo, naquele momento era por profissão fatalmente os centros culturais, o  Vergueiro mais precisamente, oferecia aporte para toneladas de informações ora na rádio, ora na tv com a MTV, ora na Galeria do Rock no centro, Os Fanzines, as revistas Rock Brigade e Bizz, os shows do Monsters of Rock, Ac/Dc, Nirvana, Sonic Youth, Metallica, Iron Mainden, Deep Purple, Raimundos, Titãs, Sesc Pompéia  enfim muitos lugares, muitas figuras de amigos, muitas histórias, muitas fontes. Até chegar o dia que não bastava mais ouvir, o estrago felizmente já havia sido feito e o que eu queria era tocar guitarra. 

Conhecer o Black Sabbath foi impressionante e com certeza o resto foi uma maravilhosa consequência.

Acredito que de 10 em cada 10 adolescentes que curtam rock atualmente já ouviram  o Black Sabbath. O nome do blog é uma homenagem à importância e o significado pessoal que esta banda  tem para o autor deste blog bem como a sua visão esta associada em uma contextualização cronológica do tempo ser a dos anos 90 do século XX em processo de profundas transformações em vários planos podendo ser identificado como a sociedade da pré era da revolução digital evidente que esta, ainda em curso, se efetiva cada vez mais e com maior velocidade até o presente.

Entretanto o maior impacto do estilo musical Rock se dera efetivamente para a civilização ocidental, aproximadamente nas últimas 6 décadas, mais precisamente a partir da segunda metade da década de 50.
O advento do Rock através do aparecimento da música de um de seus expoentes,Chuck Berry, um jovem negro norte-americano . O impacto cultural foi tamanho que tudo o que aconteceu na música após "Johnny Be Good" foi uma consequência, bem  como o aparecimento de  Jimy Hendrix  na década de 60, um dos maiores guitarristas e gênios musicais dos últimos tempos. Hendrix tinha um  rock tão bem expresso em Riffs através de sua guitarra em que chegaram a  imitar entre outras balas de metralhadoras muito bem representada e expressa em  suas músicas de protesto "Machine Gun" uma obra prima do rock. Uma crítica que denunciava a crueldade e o absurdo da Guerra do Vietnã.

Em uma análise superficial o que vivemos culturalmente hoje desfoca a semiótica da relevância e da importância quase que mitológica do Guitar Hero onde a figura da Guitarra sendo empunhada por um homem simples ou banda de músicos populares como os Beatles em teatros e arenas ao redor do mundo ou no icônico som de lamento da Guitarra em "With a little help for my friend" na voz de Joe Cocker em um grande festival como Woodstock nos anos 60 com suas músicas de protesto pela Paz e Amor são características indeléveis no aparecimento do fenômeno da musica pop até o presente transformando a guitarra como o instrumento símbolo da música moderna.

Aos berros furiosos e em altíssimo volume para saturação das válvulas através de verdadeiras "barricadas" de amplificadores montados nos palcos de grandes festivais da época lançavam megawatts  de timbres distorcidos para se pregar a"revolução universal" explodindo em ferocidade e com toda força os nascentes movimentos populares clamando por liberdades e direitos civis  contestando contra a sustentação de uma sociedade que carregava em si valores e ideias de um modo de vida preso ao século 19, de mudanças em uma sociedade castrada sexualmente, pressionada por uma guerra fratricida e clamando também por demandas materiais contra o desemprego, a miséria, a fome e doenças confrontando-se frontalmente nas ruas  contra às forças políticas dominantes de um estágio de poder e de controle social deliberado  por parte de governos de países de um mundo em tempos dos extremos da bipolarização e radicalização política em franca disputa por território e poder e de sua influência no mapa global.

Em um planisfério político mundial e em linhas gerais países com regimes ditatoriais de governos ultraconservadores na manutenção do poder e da ordem que a história mostrou serem  indistintamente em países tanto no bloco comunista como no bloco capitalista . Foram os tempos extremos da guerra fria e das imposições e sanções civis, sobretudo de governos ditatoriais, da anulação e ou sanção de direitos humanos, direitos políticos-civis bem com perseguições, prisões e condenações tendo -se como resultado desvios de rotas individuais e coletivas através do aparelhamento de órgãos governamentais à serviço da repressão política sistematicamente desenvolvidos e implementados por governos no mundo inteiro desde por exemplo à prática extensiva e indiscriminada da tortura, na execução do exílio, da censura e controle dos meios de comunicação até a práticas de execuções coletivas sumárias(evidentemente sob a alegação de desaparecimento) e no plano político de relações internacionais a abolição da diplomacia através de intimidações bélicas e confrontos localizados, vivia-se sob a égide do temor constante de uma guerra nuclear de aniquilação total que poderia ser deflagrada a qualquer momento.

O uso de drogas em si faz parte, em linhas gerais, do contexto da história humana devido provavelmente a sua própria condição de existência,  porém ninguém poderia saber ou imaginar que uma das táticas da reação governamental por exemplo estadunidense e de outros países além da política reacionária de atentados as liberdades individuais através das censuras, prisões, envio para confronto de forças policiais com  balas de borrachas, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogênio contra populações de manifestantes desarmados transformando-os em vítimas indefesas e fatais seriam também os métodos anticoncepcionais em massa tornando estéreis milhares de mulheres para o controle da natalidade, daí o surgimento da pílula anti concepcional e seu advento através de campanhas e informes publicitários nos devidos aparelhos de comunicação em massa, bem como o mais novo método-experimento de controle social já desenvolvido naquele momento , o LSD , com a promessa de ser a droga mais eficiente que o governo estadunidense já havia lançado em um programa desta natureza e do famigerado agrotóxico até hoje em uso na agricultura mundial conhecido como Glifosato com seus nefastos efeitos biológicos hoje comprovados matando bilhões de câncer pelo mundo que fora  transformado rapidamente em uma arma química letal e mortífera que ainda reproduz seus nefastos  efeitos na alteração da reprodução da genética humana com má formação de fetos dando origem a população de  seres humanos disformes que se reproduzem até hoje aos milhares no Vietnã. Batizado como "Agente Laranja" ou "Agent Orange" foi testado e usado com profusão na Guerra do Vietnã contra os vietcongues e atingindo também seus próprios soldados sendo usado como pretexto de se "desfolhar a mata" deixou seu rastro até nossos dias. A Guerra do Vietnã  tem como legado o que fora reconhecido como o maior campo de genocídio humano registrado e que se tem notícia na história.

Aquela geração dos anos 60  não só norte-americana, mas a de diversos países ocidentais, foi o alvo de impacto direto destes programas governamentais, de um lado pressionada pela guerra, e por outro lado através destes programas de governo que através de suas agências em aliança a um conglomerado de  indústrias químicas, farmacêuticas, bélicas, econômicas financeiras (bancos), sociedades de regimes autoritário de economias planificada unificadas em uma plutocracia  perpetuada ao poder de forma geral( leste europeu e bloco asiático soviético) que agiam sistematicamente contra e a revelia sua própria população  para garantirem seus exorbitantes lucros financeiros e a para a perpetuação do seu próprio poder, em modelos políticos que foram disputados para serem  adotados e expandido por governos no mundo inteiro.

Diante de tanta perversidade das políticas dominantes, repressão e horror como sintomas da fragmentação e declínio de velhas sociedades doentes, certamente que este "plano de fundo" haveria de influenciar severamente aquela geração de jovens dos anos 60 em escala mundial, entretanto foram nas universidades sob a égide do turbilhão dos movimentos sociais contrários ao "reacionarismo" da política conservadora vigente, estes se aliaram ás artes e a cultura na literatura, nas artes plásticas, na música, no cinema e no teatro, utilizando-as e transformando-as como "armas"  para a defesa de suas pautas filosóficas, ideológicas e políticas como um liem social que sustentava aquela sinergia coletiva estavam germinando as sementes do que ficou conhecido como a "primavera dos povos" com grande explosão artística-cultural teve que entre outros movimentos o  "movimento da contra-cultura" mais tarde afetando não só aquela geração dos anos 60 que havia sido atingida direta e verticalmente pelo poder sendo transformados então como os protagonistas desta  nova corrente de contra cultura que com seu legado influenciaram gerações sucessivas do séc. XX até nossos dias.

Quando esta explosão se deu fora sem limites pela proclamação e o advento através de vivências coletivas, irrestritas e incondicionais das pautas reivindicatórias que em sua maioria possuíam entre outras as práticas para o amor e sexo livre, a "liberdade" para o uso de drogas, as quais se supunha podiam operar "libertações mentais e até espirituais" ao "abrir suas mentes", para a liberdade de expressão sem limites com o qual o rock por excelência foi apropriadamente  associado sendo o protagonista por excelência daquela onda de revindicações produzindo e reproduzindo através da música em diferentes "versões" até hoje, muitos de seus máximos expoentes.

Fortemente aliado as artes plásticas nos retratos de quadros de visões e paisagens multi coloridas proporcionadas por doses cavalares de ácidos e regados a Lsd em distorções sonoras e visuais conhecidas como arte psicodélica, muitas vezes como representações dos conflitos internos individuais ao qual com o auxílio das filosofias orientais poderiam se libertar pelo "despertar individual" em todos aquelas formações errantes coletivas de grupos "irmanados pela paz e amor" conhecidos como "hippies" ao alcance daquilo que buscavam e pensavam ser a superação em seu caminho existencial através da sua auto libertação espiritual e também material propiciado pela convivências e fundação de espaços comunitários fundamentados no, no compartilhamento de pertences, bens materiais, no usufruto coletivo dos bens produzidos, alimentos, vestimentos baseados por uma economia compartilhada de trocas coletivos e ou individuais enfim tentava-se assim e urgentemente uma alternativa de convivência coletiva sobretudo evidenciava-se a urgência de uma nova sociedade com estes ideais  que propiciasse o surgimento de sociedades alternativas tendo a liberdade como a premissa básica.
As artes e a música com o Rock associados ao uso recorrente de drogas e ao sexo liberal e irrestrito, estava assim em linhas gerais erguido o tripé daquilo  que evidente não poderiam supor mas que a história revelaria como legado daquele período conhecido como"Sexo, Drogas e Rock'n Roll".

De tempos em tempos a história evidencia impiedosamente os limites da condição humana e provou também que o mundo, após os anos 60, evidente jamais seria o mesmo. O Rock como sua trilha sonora de fundo cadenciando e então catalizando revoluções em vários campos da atividade humana que se deram desde então alterando definitivamente a sua existência e transformando às sociedades amparadas pela proclamação de liberdades políticas baseadas e ampliadas sobremaneira aos direitos individuais e o advento de uma ciência profundamente tecnicista fundamentada e "experienciada" em si mesma, não haveria mais limites para a ciência que a partir daquela década de 60 pôde levar o homem ao espaço e a "conquista" da lua podendo expandir as fronteiras de sua própria percepção de existência pelo cosmos antes limitado a uma única esfera, que ao mesmo tempo podia produzir milhares de ogivas nucleares em mísseis plantados por toda a terra e que em um simples apertar de botão poderia dizimar instantaneamente bilhões de vidas como  também e contraditoriamente desafiando as leis naturais até então vigentes fabricar e produzir em série vida aos bilhões em tubos de ensaios em laboratórios, tão bem expressas na literatura em profusão de romances de ficção distópica que se tornariam clássicos da literatura moderna e mundial ao traçar paralelos subjetivos na crítica das nascentes sociedades modernas como a distopia "Admirável Mundo Novo" do célebre escritor Aldous Huxley autor também do famoso "As portas da percepção", o livro de Ray Bradbury - Fahrenheit 451 e "1984" de George Orwell. No cinema um clássico que se tornaria a  "pedra de toque" de uma geração " Easy Rider" - Sem Destino,de Peter Fonda e sua clássica trilha sonora entre elas a música "Born to be Wild" da banda SteppemWolf tendia reproduzir  e a reafirmar a ideologia da auto-libertação dos anseios individuais de uma geração.